quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O ar da República...


In blogue "O centenário da República"

(...) É paradoxal: os reis constitucionais cultivavam, na rua, a dessacralização do poder. A República, porém, fecha-se nos seus palácios. Nos anos 70 e 80 do séc.XIX, o rei D.Luiz, pai de D.Carlos, ia todas as tardes ao Rossio, beber a sua ginginha com os amigos. Sozinho e sem segurança. Qualquer súbdito poderia trocar dois dedos de conversa com o rei, que se apresentava no seu grosseiro jaquetão burguês, e trocar com ele umas palmadas nas costas. Hoje, qualquer mísero secretário de Estado passa em carros topo de gama de vidros fumados, alheio à plebe. O ar da República está irrespirável. (...)

- Filipe Luís, O ar impuro da República, na Visão.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por favor!!! Até na Rússia Portugal é notícia!!!!


Ler no PRAVDA:




Povo sofredor, abre os olhos! Salta à rua! Grita! Faz-te ouvir!

Acabai com o fado de que a vida são dois dias e o Carnaval três!

Invertei os dados!

Soltai os cães!

domingo, 10 de outubro de 2010

IMAGINEM - Mário Crespo


Imaginem


00h30m


Mário Crespo


Imaginem que todos os gestores públicos das 77 empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento. Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado. Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas. Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos.

sábado, 25 de setembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ilusão ou realidade?



Enquanto o ano lectivo começa, vamos-nos confrontando com o facto de que os pais continuam , cada vez mais a fazer sacrifícios para que os filhos não sintam a crise.

Tentam que não lhes falte nada e que mantenha o mesmo nível de vida, conseguindo inscrevê-los e mantê-los nas mesmas actividades que tinham no ano anterior.

Muitos pais, a muito custo e com muitos sacrifícios, conseguem, outros rendem-se ao facto de não conseguirem e eliminam a actividade mais dispendiosa, ou a que consideram menos relevante.

Muitos pais tentam que os filhos poupar os filhos ao drama que eles têm que enfrentar para lhes dar tudo isso. São crianças e jovens com que me cruzo todos os dias que não têm a mínima consciência deste drama.

Terão que ser poupados à realidade?

Não deverão conhecer essa realidade?

Será certo deixá-los viver nessa ilusão?

O conhecimento da realidade não seria facilitador da comunicação familiar e, assim, evitar-se tantos desentendimentos?

Ao dizer-se: "Olha, filha, esse jogo custa tanto como um par de ténis!", ou, " Esse dinheiro dá para almoçares durante um mês na cantina", é provável que entendam que há coisas que podemos passar bem sem elas, mas que há outras que são imprescindiveis.

Não acho certo esconder as dificuldades aos filhos.

Criar-lhes níveis de vida superiores aos que na realidade podem ter é criar-lhes prespectivas de vida irreal.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ano lectivo 2010 - 2011: mensagem da Sra. Ministra da Educação

Bem! Eu nem acreditava naquilo que estava a ouvir!

Será que professores , pais e alunos deste país, à beira-mar plantado, têm de assistir a espectáculo tão burlesco, degradante e irreflectido?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pedralhães

Bem, acabaram-se as férias, está na hora de começar a trabalhar!

Deixo-vos aqui o conteúdo de um email que me mandaram hoje e que me levou à lágrima:

Em miúdo eu tive uma PEDRALHÃES com monitor de 12 polegadas !...

E sei a tabuada, fazer contas de cabeça e escrevo sem erros!!!!!
...Ganda máquina aquela !!..